“Os comprimidos para a disfunção erétil vendidos na farmácia são seguros para qualquer homem”?
Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE-5) como o sildenafil, tadalafil, vardenafil, têm alguns riscos associados e, além disso, podem estar a mascarar um problema de saúde mais grave.
Disfunção erétil é mais do que um problema sexual
A disfunção erétil define-se como a incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Pode surgir em qualquer idade, mas torna-se mais comum com o envelhecimento.
As causas são variadas e frequentemente combinadas:
Vasculares (as mais comuns): hipertensão, diabetes, colesterol elevado, aterosclerose
Hormonais (ex.: défice de testosterona)
Neurológicas
Psicológicas (ansiedade, depressão, stress)
Efeitos secundários de medicamentos
Hábitos de vida: tabagismo, sedentarismo, álcool
🚨 A disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de doença cardiovascular. Muitas vezes surge anos antes de um enfarte ou AVC
As artérias do pénis são mais pequenas do que as coronárias (do coração). Isso significa que alterações no fluxo sanguíneo aparecem primeiro na função erétil.
Por isso, a disfunção erétil pode ser:
um marcador precoce de aterosclerose
um sinal de risco cardiovascular aumentado
Avaliar a saúde cardiovascular é uma parte essencial da abordagem, mesmo em homens jovens.
E os medicamentos para a disfunção erétil?
Revolucionaram o tratamento da disfunção erétil e são eficazes em muitos casos.
Contudo:
não tratam a causa, apenas o sintoma
não são isentos de riscos
não são adequados para todos os homens
Mesmo disponíveis na farmácia, não devem ser encarados como suplementos inofensivos.
Risco de interações com outros medicamentos
Contraindicados com nitratos (usados na angina de peito)
Podem causar diminuição significativa da tensão arterial
Efeitos adversos possíveis
dor de cabeça, rubor facial;
tonturas e hipotensão;
alterações visuais;
em casos raros: priapismo (ereção prolongada e dolorosa - emergência hospitalar).
O mais importante: falsa sensação de segurança
Ao “resolver” o sintoma, pode atrasar:
o diagnóstico de hipertensão ou diabetes
a identificação de doença cardíaca subjacente
a correção de fatores de risco modificáveis
Em conclusão
A disfunção erétil é comum, tratável e não deve ser motivo de vergonha. Mas automedicar-se com fármacos para a ereção não é seguro e pode mascarar problemas de saúde importantes.
Se tem dificuldades persistentes, fale com o seu médico de família. Uma avaliação completa permite tratar de forma eficaz e segura.