“Comi demais, vou tomar um protetor de estômago”?
Estes medicamentos reduzem a produção de ácido gástrico, mas fazem-no de forma lenta e gradual.
O efeito máximo da medicação apenas surge ao fim de 4 a 7 dias de toma contínua.
Os protetores de estômago não são melhor solução para situações pontuais.
O que são os protetores do estômago?
Este é um nome comum que é dado a fármacos do grupo inibidores da bomba de protões (IBP), como o omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol. São geralmente aconselhados em situações de queixas gástricas prolongadas ou recorrentes. Isto significa que tomar um IBP logo após uma refeição pesada não traz alívio imediato — o desconforto passa, na verdade, com o tempo, digestão natural ou medidas simples.
O que fazer?
Evitar alimentos ácidos ou com alto conteúdo de gordura, fazendo refeições mais “leves”. Se já tiver com queixas de azia ou enfartamento, aposte numa pequena caminhada, evite deitar-se nas duas horas depois da refeição e, se necessário, usar antiácidos de alívio rápido. Estão disponíveis em venda livre nas farmácias e o efeito inicia ao fim de 30 minutos. São seguros e eficazes.
Apesar de ser uma medicação bem tolerada, a auto-medicação com protetores deve ser desencorajada porque, como em qualquer medicamento, deve ser avaliado o risco-beneficio de ser feito.
Muitos doentes tomam protetores por rotina, por terem “muitos medicamentos” ou “porque têm o estômago sensível”. No entanto, a polimedicação por si só não causa gastrite.
O protetor de estômago não serve para “corrigir exageros” — serve para tratar doenças.
Em particular:
Tratamentos prolongados com anti-inflamatórios, corticóides, anticoagulantes ou antiagregantes;
Doenças do refluxo, úlcera gástrica ou infeção por Helicobacter pylori.
Fora destes casos, o uso crónico e sem vigilância pode ser prejudicial, aumentando o risco de défice de vitaminas (magnésio e vitamina B12), infeções intestinais e doença renal.
Quando procurar um médico?
Se o desconforto gástrico se repete e sente necessidade de tomar medicação por duas ou mais vezes por semana, é altura de falar com o seu médico de família.
Pode tratar-se de refluxo gastroesofágico, gastrite ou outra causa que merece ser avaliada e não apenas mascarada com medicação.